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sexta-feira, 22 de novembro de 2013
O INTEMPESTIVO MUNDO DIGITAL
Não é de hoje que observamos cada vez mais, as mais variadas pessoas, que fazem uso de certos aparelhos virtualizados. Que seja o telefone celular, computador, Ipad, Ipod, vídeos-games, entre tantos outros. Isto sem falar da imensa “cápsula protetiva” sob a qual as crianças estão destinadas a vivenciarem no momento em que caminham para a escolha de algum esporte. Chuteiras ou tênis caríssimos, camisas de griff, camisas e shorts térmicos, caneleiras reforçadas, tornozeleiras, alguns ainda usam protetores labiais, capacetes, cotoveleiras, não esquecendo os bloqueadores solares e a aparelhagem médica disponível em qualquer campinho ou quadra esportiva. Cada vez mais cedo, as crianças estão virando reféns de uma era: a era tecnológica.
Lembro-me de uma infância que não precisava-se de muito para poder ser feliz. Bastava por vezes algumas bolas de gude ou um simples carrinho de lata, para não falar de um campinho de terra batida. Neste ultimo não contávamos com luxuosas camisas dos mais diversos clubes ou seleções, mas apenas, fazia-se necessário que uma das duas equipes tirasse as camisas. Não era preciso ter preocupação com chuteiras ou meias, ao contrario, ouvia-se e sentia-se o deslizar dos pés descalços em meio aos berros proferidos pelas equipes.
O que observa-se é que um fator protetivo ao excesso, pode sim, contribuir para um possível déficit na capacidade individual de desenvolvimento pessoal. Ora, a medicina afirma que, quanto maior a exposição do individuo ao ambiente, mais será a capacidade de aquisição de anticorpos benéficos à saúde. Deve ser por isso que cada vez mais os leitos hospitalares estão recebendo inúmeros pacientes, das mais variadas patologias. E cada vez mais, estão inventando os mais diversos tipos patológicos.
Quanto a isso, eu convoco todos a fazerem uma breve reflexão/rebelião. Vamos todos nos opor a qualquer tipo de midiatização, mas que não seja uma rebelião por completo, suficientemente adequada. Devemos enxergar que o essencial não é ter a melhor aparelhagem, mas a que nos proporcione um maior contato sensitivo com a realidade. Não precisamos ter o melhor computador, o melhor tablet, o celular de ultima geração. O que realmente precisamos é observar. Observar a natureza, as pessoas, as relações, os lugares e que esta observação seja eminentemente participante. Devemos estar cada vez mais participativos, apenas pela vontade de mobilização pessoal.
As crianças de alguns anos atrás eram felizes por menos, eis a constatação. O que realmente importava eram as brincadeiras coletivas, preferencialmente aquelas que envolvessem o corpo. Pouco era necessário para brotar um longo sorriso. Ao contrario do que vemos hoje, quanto maior o acumulo maior o vazio que toma conta das pessoas.
Neste caso, devemos abolir boa parte do tempo virtual em prol de uma revolução sensitiva. Este tempo virtual, o que fazer? Vamos então investi-lo. Fazendo um investimento em um maior tempo real: vivendo e aproveitando mais.
Renato Antonio de Paiva
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